Exposição Individual - APORIA.

 Desde que poetas e escritores como Bilac, Castro Alves, José de Alencar, juntamente com música de Carlos Gomes e a pintura de Rodolfo Amoedo, Almeida Jr, Antonio Parreiras, Pedro Américo, Victor Meirelles e outros românticos, em meados do século XIX começaram a esboçar um rosto para o Brasil, a partir de um "olhar paisagístico", seguidos pelos modernistas de 1922 através de pintores como Di Cavalcanti, Tarsila, Pancetti, Djanira, até os anos de 1970 com o movimento tropicalista, sem esquecer Carmem Miranda e as chanchadas da Atlântida, o país não se desfez de sua ideia de “paraíso tropical” Em sua atual exposição, a pintora Dirce Fett retoma esse velho clichê para propor que o olhemos de uma forma ainda mais doce, ingênua, sonhadora e bem humorada: de um ponto de vista bastante distanciado da ideia de realidade. Dirce, que entre vigorosas pincelas combinadas com minuciosas repinturas de recortes de padronagem industrial colados na tela, nos apresenta um cenário em festa, multicolorido, alegre e povoado de plantas entremeadas com diversos animais comuns à nossa fauna e flora brasileira. O conjunto se torna interessante sobretudo porque cria uma paisagem natural que não respeita as contingências e hierarquias impostas pela verdadeira natureza.

 Em seus quadros, Dirce Fett investe-se na qualidade de um "Criador" que não se importa com as lições de Charles Darwin. Dirce prefere nos dar a ver uma natureza fabulada como um conto de fadas. Enfim, uma natureza "Mãe Gentil".

 

Orlando Mollica